quinta-feira, 1 de março de 2012

Uma síntese do que muda nos transportes colectivos

O que muda nos transportes, de acordo com informação do Sol. Não me vou aqui repetir sobre a estratégia do Governo, mas tenho a certeza que o plano que li não justifica estas opções.

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Os utilizadores dos transportes públicos portugueses vão, cada vez mais, ter de esperar mais tempo na paragem, andar mais para lá chegar, efectuar mais transbordos e ainda pagar tarifas mais caras. Este é o preço a pagar pela sustentabilidade operacional das empresas do sector, defendem os operadores públicos e o Governo.
Com o objectivo de equilibrar as contas das empresas públicas de transporte, o Executivo aprovou um documento orientador, não revelado oficialmente, no final do ano passado, que exige às companhias, a eliminação de viagens e reduções nas frequências (ver infografia). A estas medidas somam-se aumentos médios nos preços de 15%, em Agosto, e de 5% em Fevereiro.
Apesar de tudo, os utilizadores podem respirar de alívio. Vários dos cortes que chegaram a ser anunciados na imprensa, não vão, afinal, avançar, segundo as informações prestadas pelas empresas ao SOL. Medidas como o encerramento do Metro de Lisboa às 23 horas ou o fim do serviço nocturno da Carris foram abandonadas.
Mas uma maior «racionalização da oferta» não está colocada de parte nos próximos meses, segundo as empresas contactadas.
Lisboetas mais afectados
As reformas afectam os cidadãos de Norte a Sul, mas os mais prejudicados serão os de Lisboa, devido às alterações do Metro de Lisboa, da Transtejo e da Carris.
A operadora de autocarros e eléctricos da capital, a mais utilizada no país, vai extinguir quatro carreiras (10, 203, 777 e 790) e alterar o traçado e os horários de mais 23, no dia 3 de Março. Quem utiliza os serviços da Carris, à noite e aos fins-de-semana, vai também sentir a diferença, pois a empresa dirigida por Silva Rodrigues irá acabar com o serviço de cinco carreiras nocturnas e reduzir fortemente a operação fora dos dias úteis.
Já o Metro de Lisboa vai 'encolher'. À noite e aos fins-de-semana os comboios serão compostos por apenas três carruagens, mantendo-se as seis durante o horário diurno nos dias úteis.
Apesar de mais pequenos, os comboios vão demorar mais tempo a chegar. Se as frequências durante os períodos de ponta se mantêm estáveis, já durante o resto do dia os utentes terão de esperar com mais paciência. Especialmente, à noite: o tempo médio de espera aumentará de um minuto e 30 segundos para 10m15. Na linha verde, a mais afectada, a espera passará de 9m30 para 11m40.
Na Transtejo  já entrou em vigor um corte radical na oferta: são menos 139 frequências semanais, com os trajectos de fim-de-semana a serem os mais afectados. As ligações Cais do Sodré – Cacilhas acabam 50 minutos mais cedo, à 1h40, e Terreiro do Paço – Barreiro terminam 30 minutos antes, às 2 horas. Os barcos também vão encolher e serão mais lentos nas viagens que realizam. Em comunicado, o presidente da empresa «lamenta o transtorno causado aos passageiros».
CP altera Lisboa, mas com Porto à espera
A região de Lisboa também foi a mais afectada pelo corte da oferta da CP – Comboios de Portugal, pois as principais alterações até agora efectuadas nas linhas suburbanas foram realizadas na Grande Lisboa. Para já, a região do Porto escapa a alterações profundas, mas não estão descartados ajustes na oferta das linhas com menor procura.
A STCP já suprimiu quatro linhas, em 2011, e começou esta semana a efectuar as revisões dos horários dos seus autocarros. A empresa está «a preparar a implementação de medidas de racionalização da oferta» e «manterá as habituais revisões de percursos».
Livre destas alterações está o Metro do Porto, pois a operação está concessionada à Via Porto. Mudar o contrato custaria mais do que a poupança gerada, devido a indemnizações a serem pagas ao consórcio liderado pela Barraqueiro. Apenas em 2014 se farão as reformas
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Parecer da AML sobre o Plano Estratégico dos Transportes


"Neste contexto, a Comissão Permanente de Transportes e Mobilidade propõe à Assembleia Metropolitana de Lisboa reunida em sessão extraordinária em 27 de Janeiro de 2012 recomendar ao Governo que repondere a concretização das medidas que sugerem a continuação da degradação da oferta de transportes públicos, única forma de não perderem a atractividade e sustentabilidade, bem como não concretize os novos aumentos anunciados."

Parecer completo aqui.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Transportes públicos aumentam 5% (em média)


"Os preços dos transportes públicos vão subir em média uns cinco por cento. A indicação foi deixada pelo secretário de Estado dos Transportes, que adiantou ainda que o "Navegante", novo passe único criado pelo Governo para Lisboa, terá um custo de 35 euros. É um título que serve para andar no metro, autocarro e comboio, substituindo o atual passe."

Notícia completa no site da RTP.

A notícia de um passe em Lisboa mais intermodal é boa!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Mais um ano se passou


Em 2011 a 3ª travessia do Tejo em Lisboa parece ter ficado adiada sem prazo e, consequentemente, o seu tabuleiro rodoviário. Diria que a crise foi uma grande ajuda para evitar o disparate do tabuleiro rodoviário.
E agora? Agora parece-me que devemos continuar atentos. Eu por mim vou continuar.
E o blog? A oposição que tenho ao tabuleiro rodoviário prendia-se essencialmente com questões de mobilidade na Área Metropolitana de Lisboa (AML). Tratava-se de uma aposta no “tabuleiro” errado, ou seja, há outros modos mais eficientes para melhorar a mobilidade na AML. Logo, o tema da mobilidade sempre aqui esteve presente e, naturalmente, os transportes colectivos. Ora num momento em que tanto se mexe nesse sector, parece-me fazer sentido que este blog acompanhe.
Por isso, não se fecha para balanço…quanto muito, abre-se!

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Contributo do GEOTA para o Plano Estratégico dos Transportes

"Conclusão:
O PET tem algumas ideias com as quais concordamos. No entanto, trata-se de um documento com falta de visão integrada e aprofundada, tendo um carácter pouco estratégico.
O GEOTA manifesta-se contra medidas de racionamento dos transportes públicos colectivos, sendo antes a favor de medidas que melhorem a eficiência dos transportes. No entanto, a pouco profundidade do plano não permite justificar medidas como as que têm vindo a ser anunciadas pela comunicação social."
Contributo completo na página do GEOTA.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

A carreira 79, nos Olivais

No âmbito da muito badalada reestruturação da rede da Carris, fiquei a saber que a carreira 79 vai ser suprimida. Já há até manifestações contra.


A carreira 79 faz a circulação interna no bairro dos Olivais, passando pelos Olivais Sul, Norte e Encarnação. Passa pelo centro comercial, pelo centro de saúde, pelo cemitério, finanças,  algumas escolas e igrejas.

Vivi e cresci nos Olivais, bairro que, apesar de já lá não viver, continuo a considerar também o meu bairro. Penso que é um dos melhores bairros de Lisboa. No entanto, um dos seus defeitos são os diversos serviços estarem afastados, faltando também  comércio de rua (em especial no Olivais Sul, pensados na lógica do Centro Cívico só concretizado como centro comercial no meio dos anos 90).



Em termos de transportes, o bairro é servido por diversos autocarros que passam em 5 ou 6 sítios (Quinta das Teresinhas, Bombeiros da Encarnação, Cabo Ruivo, Estação do Oriente, etc.) , metropolitano (numa das pontas do bairro) e comboio (na Estação do Oriente). Parece muito, mas não é assim tanto se pensarmos que se trata da maior freguesia de Lisboa. Para além disso, os autocarros existentes não me parecem ter os percursos desenhados para circulação interna, mas sim para fazer ligação a outras zonas da cidade. Por exemplo, do local onde morei para ir ao Centro de Saúde, às Finanças ou ao supermercado teria de apanhar 2 autocarros, se não existisse o 79, podendo demorar uma hora a lá chegar!

A carreira 79 apareceu em 1997

Não tendo nenhum estudo que prove isto, penso que a imagem dos Olivais melhorou muito nos anos 90. Claro que a EXPO 98 em muito contribuiu para isso. Em 1997 vi com satisfação aparecer esta carreira, pareceu-me uma evolução positiva no bairro, algo que colmatava uma necessidade.

Parece que a carreira vai desaparecer por ter poucos clientes. Não conheço os números mas acredito que possa ser verdade. Mas mesmo poucos, não têm direito a deslocar-se? É que ainda por cima vão afectar quem menos tem! Quem não tem carro, muitos dos que ainda vai ao centro de saúde do SNS...

Parece-me que aqui a pergunta é novamente a mesma “Para quê”? Não nos vamos focar em soluções (ou seja, no 79 em si), mas antes no objectivo que queremos satisfazer. Têm ou não têm direito os habitantes dos Olivais a ter uma solução de transporte que lhes permita a deslocação dentro do bairro? Eu acho que sim!

A solução existente pode não ser eficiente, em termos económicos. Muito bem, mas então que se estude outra, talvez uma solução mais flexível. Que tal analisarem um documento do IMTT sobre transportes públicos flexíveis?
Logo ali ao lado há o exemplo do Rodinhas (Moscavide, Portela), funcionará bem? Tenho ideia que sim.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Integração do Metro e comboios em Lisboa


Encontrei este post no blog CidadaniaLx.  Concordo totalmente com a ideia.
Já por várias vezes tinha pensado nisto. Em Paris há, por exemplo, um mapa integrado do metro e do comboio. Por vezes, nem se percebe se estamos no metro ou no comboio! Lembro-me de chegar a ver setas pela rua para ajudar a fazer a ligação entre o comboio e o metro em duas estações próximas.
Descobri a vantagem da linha de cintura em Lisboa quando, já lá vão uns anitos, me queria deslocar da Alameda para os Olivais e havia grandes engarrafamentos por causa da construção do túnel da Av. da República. Chegava a poupar tempo apanhando o comboio no Areeiro até Moscavide e depois o autocarro para os Olivais.
Tanto que há para fazer quase sem gastar um tostão!