sexta-feira, 14 de maio de 2010

Afinal, em que ficamos com a terceira travessia?

Confesso que estou baralhado. A TTT parou mesmo? Não vai haver ponte, para já? O TGV fica no Poceirão? Ou será que "caiu" a rodovia? Ao almoço perguntam-me e eu nem sei que dizer!
Está decidido, vou propor à Direcção do GEOTA que se escreva ao ministro da tutela a perguntar.
Mas, pelo vistos não sou o único a estar baralhado. O António Costa (que até telefona ao primeiro ministro, segundo diz a notícia), também parece baralhado.
De notícia do Sol.

"Defensor da travessia ferroviária, o autarca aproveitou também para avisar Sócrates que iria faltar à reunião do Secretariado do PS, que se realizou segunda-feira à hora do almoço.
Nesse dia, Costa afirmou em público que «não se percebe bem se o Governo só alterou calendários ou se decidiu reponderar o conjunto do projecto e se até admite soluções alternativas».
«Ora, as soluções alternativas que têm vindo a ser referidas são inaceitáveis, não são sérias, não são credíveis e não assegurariam a ligação do país à rede europeia de alta velocidade nem permitiria a deslocação do aeroporto para a Margem Sul do Tejo», argumentou o autarca, que defendia a construção do novo aeroporto internacional de Lisboa na Ota e não em Alcochete."

terça-feira, 11 de maio de 2010

António Costa sustentou que o Governo tem sido pouco claro sobre o adiamento da Terceira Travessia do Tejo

"António Costa sustentou que o Governo tem sido pouco claro sobre o adiamento da Terceira Travessia do Tejo, pelo que, anunciou, a Junta Metropolitana da capital vai pedir uma audiência urgente ao Governo sobre esta questão."

Notícia do CM.

Ora não posso estar mais de acordo sobre a confusão. Não querendo estar aqui a defender a rede de alta velocidade, não me parece que faça sentido nenhum a estação central da rede de alta velocidade ser no Poceirão! Só posso entender o "adiamento" como o adiamento da componente rodoviária. Será? Alguém consegue perguntar ao Ministro das Obras Públicas ou mesmo a José Socrates?

sábado, 8 de maio de 2010

Sócrates admitiu ainda adiar grandes investimentos públicos como o novo aeroporto e a terceira travessia do Tejo

"Sócrates admitiu ainda adiar grandes investimentos públicos como o novo aeroporto e a terceira travessia do Tejo, de modo a atingir a nova meta de redução do défice, anunciada pelo primeiro-ministro aos seus parceiros da Zona Euro."

Notícia DN.

Tenho sempre dúvidas se devo colocar aqui estas notícias. Podem ter um efeito indesejado...convencer quem nos lê que já não é preciso "lutar" contra a componente rodoviária. Para mim, estas notícias são animo para reforçar a luta. Espero pelos comentários para perceber como pensa quem nos lê.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Escola Afonso Domingues extinta para passar a ponte


Uma notícia da SIC. Reparem na afirmação já no fim da notícia - "apesar de haver quem ainda discuta se a ponte deve ou não ter um tabuleiro rodoviário, além da ferrovia, o governo avança mesmo para a obra." Vamos a discutir!




Do site da SIC:

"A SIC tentou por vários meios ouvir o Ministério da Educação, mas sem resultado.

Também o Ministério das Obras Públicas remeteu qualquer explicação para a rede de alta velocidade.

A RAVE confirma que o espaço da escola servirá para passar a linha de alta velocidade e que está a tentar assegurar o futuro dos alunos em conjunto com a direcção geral de educação.

A SIC conseguiu entretanto apurar que o primeiro troço do TGV vai ser adjudicado no sábado.

A ligação Caia-Poceirão, vai mesmo receber luz verde numa cerimónia pública.

A 28 de Abril, a direcção da escola foi surpreendida por este ofício do Ministério da Educação.

O Director Regional de Educação de Lisboa informou que a secundária Afonso Domingues foi extinta a 23 de Março por despacho do Secretário de Estado da Educação. A razão do encerramento é dada também no documento: nos terrenos da escola vai passar a linha de alta velocidade.

Se dúvidas ainda restassem sobre as intenções do Governo estão agora desfeitas com a ordem de despejo da escola.

Professores, funcionários e alunos têm de abandonar o edifício até 31 de Agosto.

Contactada pela SIC, a direção da Afonso Domingues não quer comentar o assunto. As preocupações são relatadas pelos alunos. "Esta escola éo único curso nas redondezas, só há também Alverca, de laboratório. Este ano dizem que a escola vai fechar(...) eu estou preocupada com o meu segundo ano, porque eu quero acabar o 9º ano e não sei em que escola é que vou acabar" explica uma das alunas.

"Na nossa escola há pessoas de Odivelas, Amadora, Queluz, Mafra. Ir para Alverca é impossível, é muito longe, não vai dar para acabar o curso. Nós só queremos mesmo acabar o curso, acabar o estágio e depois vamos embora. Depois podem fechar a escola à vontade" esclarece outra das estudantes.

A Escola Afonso Domingues tem 125 anos Já foi escola industrial, mais tarde escola do ensino unificado e agora é uma secundária com cursos profissionais.

Com capacidade para 600 alunos tem apenas 256 jovens e 94 professores. Nem uns nem outros sabem para onde vão, como atesta a aluna Patrícia Frutuoso "Houve alunos que entraram agora e há certos cursos ofercidos pela escola e não sabem para onde é que vão então querem que a gente continue aqui até se iniciar as obras, é isso".

O local onde está agora a escola é o escolhido para alargar a linha já existente e fazer a insterseção com a futura ponte sobre o Tejo.

A terceira travessia..que vai ligar Chelas ao Barreiro através da linha de alta velocidade.

Apesar dos apelos do CDS-PP e do PSD para refrear o início das obras
apesar de haver quem ainda discuta se a ponte deve ou não ter um tabuleiro rodoviário, além da ferrovia, o governo avança mesmo para a obra.

O governo que no início do ano lectivo instalou quadros interactivos em quase todas as salas, que instalou rede wireless em toda a escola e que colocou um sistema de videovigilância é agora o mesmo governo que, passados poucos meses, extingue a escola Afonso Domingues."

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Participem

Hoje, alguém me dizia algo do género - não tenho escrito lá no blog porque não acredito que a obra se faça, com a questão da dívida pública.
Pois, eu também tenho esperança, mas se nos mexermos a probabilidade pode ser maior, acredito eu.
Leitores- se têm algo a dizer, gastem uns minutos e partilhem.
Obrigado!

sábado, 1 de maio de 2010

O que é a terceira travessia?

Será esta terceira travessia essencial para o projecto do TGV? A verdade é que não.

Desde há uns dias que não se fala de outra coisa – é para parar, é para avançar, é para suspender, é para avançar em parte, etc, etc. A terceira travessia é sempre referida como a “terceira travessia”, nunca sendo explicado o que é.

Assim, pareceu-me que se justificava escrever uma linhas sobre o que é a terceira travessia do Tejo em Lisboa (TTT) no modelo em que foi sujeita a avaliação de impacte ambiental e obteve uma declaração de impacte ambiental favorável condicionada.

A TTT é uma ponte, e respectivos acessos, que ligará a zona de Chelas ao Barreiro e que permitirá (eu acredito que devia dizer antes “permitiria”) o tráfego de:

- Comboios de alta-velocidade, a que nas notícias chamam TGV. Esta rede de alta-velocidade será feita com bitola europeia, ou seja, a distância entre os carris é igual à que existe na Europa, permitindo que os comboios passem para lá de Espanha sem necessidade de mudar de composição.

- Comboios convencionais, permitindo o tráfego suburbano (por exemplo, permitindo que os moradores do Barreiro possam chagar a Lisboa ) e o tráfego nacional (ex. linha do Sul). Esta rede será em bitola ibérica.

- Veículos automóveis.

A ponte terá o seguinte perfil:


Fonte: Resumo não técnico do estudo de impacte ambiental

Em síntese, a ponte, tal como está proposta, são “várias” pontes.

Por isso, não basta dizer que a terceira travessia é para avançar ou suspender. É importante lembrarmo-nos que este projecto tem várias componentes. Embora não esteja com a afirmação seguinte a defender a ligação em alta-velocidade Lisboa-Madrid, a verdade é que é possível manter esse projecto com outra terceira travessia. É possível desenhar uma ponte somente com as duas componentes ferroviárias, poupando-se, no mínimo, 500 milhões de euros.

Alguém tem o email do nosso primeiro ministro, do nosso ministro das obras públicas e lhe pode lembrar isto? Já agora, o melhor é enviarmos também email para os lideres da oposição.

Componente rodoviária da nova ponte sobre o Tejo - Ainda vamos a tempo de evitar um erro!

O Governo anunciou ontem que “A terceira travessia do Tejo em Lisboa, que inclui linhas ferroviárias de alta velocidade e de velocidade normal e rodovia, será decidida depois da avaliação do relatório sobre o projecto, recentemente completado.”

Felicitamos o Governo por repensar este investimento, muito especial a sua componente rodoviária.

Uma vez que vai ser feita uma reanálise, vimos relembrar alguns pontos sobre a componente rodoviária que nos parecem fundamentais:

- A utilidade da nova travessia ferroviária parece ser consensual, embora permaneçam dúvidas sobre múltiplos aspectos da sua concretização: a interligação ao nó ferroviário e estação central de Lisboa, a adequação do traçado, as soluções técnicas, e a oportunidade de dar prioridade a esta obra num contexto de crise económica.

- A componente rodoviária, ou seja, a construção do tabuleiro e acessos que permite a travessia rodoviária, não é um “já agora”.

- Os estudos publicados estimam um custo aproximado de 1000 milhões de euros para a travessia ferroviária Chelas-Barreiro (incluindo acessos mas excluindo o material circulante e custos indirectos); os mesmos estudos estimam o sobrecusto da valência rodoviária em 50 a 70%, ou seja, 500 a 700 milhões de euros adicionais (incluindo acessos mas excluindo custos indirectos em termos de saúde de pública, aumento de tráfego, emissões poluentes e outros). Tomemos como referência um sobrecusto da rodovia de 500 milhões de euros, que a maioria dos especialistas parece considerar verosímil.

- A Lusoponte tem o monopólio de todas as travessias rodoviárias do estuário do Tejo, pelo que a componente rodoviária da TTT teria de ser paga pelo erário público e oferecida à Lusoponte para explorar — não há aqui hipóteses de financiamentos comunitários ou “project finance”, a não ser que o prazo de concessão fosse (ainda mais) estendido;

- Os 500 milhões de euros poupados com a terceira travessia rodoviária permitiriam:

- Evitar mais uma escalada inútil do défice público (500 milhões de euros são aproximadamente 0,3% do PIB);

- Ou ampliar a rede do Metropolitano de Lisboa até 10 km (um aumento de 25%);

- Ou ampliar a rede do Metro Sul do Tejo até 25 km (um aumento de 200%);

- Ou combinações das soluções anteriores.

Em síntese, o GEOTA propõe que a componente rodoviária da terceira travessia do Tejo em Lisboa não seja feita. O montante poupado deve ser utilizado para promover os transportes colectivos, por exemplo desenvolvendo o metropolitano em Lisboa e na margem Sul e para reduzir o défice das finanças públicas.

GEOTA, 30 de Abril de 2010