Diz-nos o Público que uma das propostas do PSD se relaciona com a TTT. Aqui está a notícia:
"
Os encargos com as parcerias público privadas (PPP) para 2011 atinge os 849 milhões de euros, mas não é tanto nesta factura que o PSD se propõe mexer. A proposta do PSD passa pelo travão definitivo em todas as parcerias que ainda não estão contratadas, mesmo que já tenham concursos e projectos em andamento. No imediato, enquadram-se nesta proposta "os grandes projectos de obras públicas", como o projecto de construção da terceira travessia do tejo (TTT) e o concurso para a construção do novo aeroporto de Lisboa. São investimentos que, juntos, ultrapassam os cinco mil milhões de euros, mas nenhum tem impacto orçamental previsto para o próximo ano.
O projecto do novo aeroporto tem o estudo de impacto ambiental praticamente concluído, mas nada avançou em termos de concurso. A TTT já tinha um concurso na fase final, mas foi recentemente anulado, prometendo o Governo lançar um novo no prazo de seis meses. Se ceder ao PSD, não o irá lançar, mas terá sempre de pagar uma indemnização aos concorrentes. As contas ainda não estão feitas, mas, pelo menos, terá de pagar todas as despesas dos três concorrentes que participaram no concurso - e que ascenderão às centenas de milhares de euros.
A anulação da TTT reforça a posição dos detractores da alta velocidade, que insistem não fazer sentido construir alta velocidade para esta ficar no Poceirão. O contrato da PPP entre Poceirão-Caia foi assinado em Maio e ascende aos 1359 milhões de euros. Mas ainda não recebeu visto do Tribunal de Contas - o contrato foi retirado pela Rave, para ser reformulada numa tentativa de evitar o chumbo
"
Mais um esforço e a TTT fica na gaveta, e com isso o tabuleiro rodoviário que é o que em minha opinião está mesmo errado. Mas preocupa-me a tal indemnização aos concorrentes da TTT...
quinta-feira, 21 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
De acordo com o Código dos Contratos Públicos, o novo concurso para a TTT tem de ser lançado até 17 de Março
Agora já compreendemos melhor a pressa dos 6 meses. Aconselho a leitura da notícia do Diário Económico que agora transcrevo:
"
O Governo será obrigado a lançar o novo concurso para a construção e exploração do troço de TGV entre Lisboa e o Poceirão até 17 de Março, mesmo com a crescente crítica dos partidos da oposição e do congelamento do investimento público, anunciado esta semana no âmbito do novo pacote de austeridade.
Essa imposição decorre do Código dos Contratos Públicos (CCP), que estipula que quando um concurso público não é adjudicado depois de se terem invocado "circunstâncias imprevistas", é obrigatório "dar início a um novo procedimento no prazo máximo de seis meses a contar da data de notificação da decisão de não adjudicação".
O despacho conjunto dos ministros das Obras Públicas e das Finanças, respectivamente, António Mendonça e Teixeira dos Santos, a anunciar oficialmente a anulação do primeiro concurso para o troço de alta velocidade entre Lisboa e o Poceirão, data de 10 de Setembro, mas só foi publicado em Diário da República a 17 do mês passado. Seis meses depois, a 17 de Março será, portanto, a data-limite, para estar em marcha o novo concurso para este troço de TGV, que inclui a Terceira Travessia sobre o Tejo.
Nesse despacho, a decisão de anulação do primeiro concurso é justificada com o facto de, "após a data de lançamento do concurso público internacional da ‘Concessão RAV Lisboa-Poceirão' se verificou uma significativa e progressiva degradação da conjuntura económica e financeira de Portugal".
"O aumento dos custos de financiamento, em virtude da conjuntura económica, implicaria, à semelhança do já verificado em outros projectos de concurso de concessão de obras públicas de infra-estruturas de transportes, um agravamento das condições das propostas dos concorrentes para além dos limites admitidos pelas normas que regulam o procedimento concursal", acrescenta o referido despacho.
O argumento legal que serviu ao Governo para anular o primeiro concurso obriga-o igualmente a lançar o segundo no espaço de seis meses a partir da data daquele despacho, independentemente das críticas e dos constrangimentos financeiros, sob pena do pagamento de eventuais indemnizações aos consórcios privados.
Uma forma de mitigar o esforço financeiro desta Parceria Público-Privada (PPP) foi concebida pela Rave, empresa pública responsável pelo projecto nacional de alta velocidade. Enquanto no primeiro concurso estava previsto um total de cerca de 170 milhões de euros de financiamento comunitário, para a segunda versão deste concurso, a RAVE e o Governo decidiram alocar verbas já aprovadas pela União Europeia para as linhas TGV de Lisboa-Porto e Porto-Vigo. Estes fundos serão perdidos se não forem gastos até 2015 e são exclusivamente destinados à alta velocidade. Como as duas linhas foram adiadas, optou-se por redireccionar essas verbas, de 430 milhões, para este troço de TGV sobre o Tejo, que, assim, terá um financiamento comunitário de cerca de 600 milhões de euros. No final o esforço do Estado e/ou Refer será de apenas 100 milhões de euros.
Aeroporto parado dois meses
Entretanto, outro grande projecto de obras públicas lançado por José Sócrates continua igualmente envolto em dúvidas. Depois de se ter concluído na semana passada a fase inicial de consulta pública para a Declaração de Impacto Ambiental, o processo sofreu novo desenvolvimento na passada quinta-feira com a Assembleia da República a suspender o decreto-lei que enquadra a lei de bases de concessão da ANA. Questionado pelo Diário Económico, fonte oficial do Ministério das Obras Públicas explicou apenas que o referido decreto-lei "será reposto em vigor no dia 8 de Dezembro de 2010". A oposição teme que se transforme um monopólio público num privado e quer separa a gestão dos diversos aeroportos nacionais, até 8 de Dezembro não haverá qualquer alteração, ficando o processo em banho-maria por mais dois meses. Também aqui não deverão ser conhecidas grandes novidades antes de 2011"
Fonte
"
O Governo será obrigado a lançar o novo concurso para a construção e exploração do troço de TGV entre Lisboa e o Poceirão até 17 de Março, mesmo com a crescente crítica dos partidos da oposição e do congelamento do investimento público, anunciado esta semana no âmbito do novo pacote de austeridade.
Essa imposição decorre do Código dos Contratos Públicos (CCP), que estipula que quando um concurso público não é adjudicado depois de se terem invocado "circunstâncias imprevistas", é obrigatório "dar início a um novo procedimento no prazo máximo de seis meses a contar da data de notificação da decisão de não adjudicação".
O despacho conjunto dos ministros das Obras Públicas e das Finanças, respectivamente, António Mendonça e Teixeira dos Santos, a anunciar oficialmente a anulação do primeiro concurso para o troço de alta velocidade entre Lisboa e o Poceirão, data de 10 de Setembro, mas só foi publicado em Diário da República a 17 do mês passado. Seis meses depois, a 17 de Março será, portanto, a data-limite, para estar em marcha o novo concurso para este troço de TGV, que inclui a Terceira Travessia sobre o Tejo.
Nesse despacho, a decisão de anulação do primeiro concurso é justificada com o facto de, "após a data de lançamento do concurso público internacional da ‘Concessão RAV Lisboa-Poceirão' se verificou uma significativa e progressiva degradação da conjuntura económica e financeira de Portugal".
"O aumento dos custos de financiamento, em virtude da conjuntura económica, implicaria, à semelhança do já verificado em outros projectos de concurso de concessão de obras públicas de infra-estruturas de transportes, um agravamento das condições das propostas dos concorrentes para além dos limites admitidos pelas normas que regulam o procedimento concursal", acrescenta o referido despacho.
O argumento legal que serviu ao Governo para anular o primeiro concurso obriga-o igualmente a lançar o segundo no espaço de seis meses a partir da data daquele despacho, independentemente das críticas e dos constrangimentos financeiros, sob pena do pagamento de eventuais indemnizações aos consórcios privados.
Uma forma de mitigar o esforço financeiro desta Parceria Público-Privada (PPP) foi concebida pela Rave, empresa pública responsável pelo projecto nacional de alta velocidade. Enquanto no primeiro concurso estava previsto um total de cerca de 170 milhões de euros de financiamento comunitário, para a segunda versão deste concurso, a RAVE e o Governo decidiram alocar verbas já aprovadas pela União Europeia para as linhas TGV de Lisboa-Porto e Porto-Vigo. Estes fundos serão perdidos se não forem gastos até 2015 e são exclusivamente destinados à alta velocidade. Como as duas linhas foram adiadas, optou-se por redireccionar essas verbas, de 430 milhões, para este troço de TGV sobre o Tejo, que, assim, terá um financiamento comunitário de cerca de 600 milhões de euros. No final o esforço do Estado e/ou Refer será de apenas 100 milhões de euros.
Aeroporto parado dois meses
Entretanto, outro grande projecto de obras públicas lançado por José Sócrates continua igualmente envolto em dúvidas. Depois de se ter concluído na semana passada a fase inicial de consulta pública para a Declaração de Impacto Ambiental, o processo sofreu novo desenvolvimento na passada quinta-feira com a Assembleia da República a suspender o decreto-lei que enquadra a lei de bases de concessão da ANA. Questionado pelo Diário Económico, fonte oficial do Ministério das Obras Públicas explicou apenas que o referido decreto-lei "será reposto em vigor no dia 8 de Dezembro de 2010". A oposição teme que se transforme um monopólio público num privado e quer separa a gestão dos diversos aeroportos nacionais, até 8 de Dezembro não haverá qualquer alteração, ficando o processo em banho-maria por mais dois meses. Também aqui não deverão ser conhecidas grandes novidades antes de 2011"
Fonte
domingo, 19 de setembro de 2010
Concurso da terceira travessia anulado
As notícias não faltam. Basta fazer uma pesquisa no google. Por isso, penso que não se justifica colocar aqui um monte de links.
Mas, afinal, qual foi a novidade? Já lá vão uns meses que o Governo tinha anunciado esta decisão...
A novidade foi a formalização da anulação do concurso.
Que outras novidades podemos tentar perceber das notícias? (porque no site do ministério não encontrei nenhum comunicado). Ora bem, aqui vão algumas:
- O consórcio que tinha apresentado a melhor proposta ficou zangado e ameaça com tribunal.
- Parece que o projecto pode sofrer algumas melhorias técnicas que permitem poupar algum dinheiro. Tantos estudos, tantos estudos e afinal ainda há coisas para melhorar....
- Parece que vai ser possível concentrar fundos comunitários, que se perderiam porque outros projectos foram cancelados/adiados, reduzindo-se assim a necessidade de financiamento da banca (onde o dinheiro é pouco e caro!).
- O Governo quer lançar novo concurso até final do ano
Os meus comentários:
- Tantos estudos e ainda é possível melhorar??? Se calhar, afinal também é possível concluir que o tabuleiro rodoviário não é boa solução!
- O financiamento comunitário vai ser significativo....ora então está na hora de contactar a Comissão Europeia e tentar explicar-lhes que o tabuleiro rodoviário não é grande solução...talez eles ainda se lembrem da Ponte Vasco da Gama.
- Até ao final do ano o tempo é muito pouco...temos de nos despachar e aproveitar esta janela.
Alguém tem comentários? Ideias? Reclamações? Venham daí!
Mas, afinal, qual foi a novidade? Já lá vão uns meses que o Governo tinha anunciado esta decisão...
A novidade foi a formalização da anulação do concurso.
Que outras novidades podemos tentar perceber das notícias? (porque no site do ministério não encontrei nenhum comunicado). Ora bem, aqui vão algumas:
- O consórcio que tinha apresentado a melhor proposta ficou zangado e ameaça com tribunal.
- Parece que o projecto pode sofrer algumas melhorias técnicas que permitem poupar algum dinheiro. Tantos estudos, tantos estudos e afinal ainda há coisas para melhorar....
- Parece que vai ser possível concentrar fundos comunitários, que se perderiam porque outros projectos foram cancelados/adiados, reduzindo-se assim a necessidade de financiamento da banca (onde o dinheiro é pouco e caro!).
- O Governo quer lançar novo concurso até final do ano
Os meus comentários:
- Tantos estudos e ainda é possível melhorar??? Se calhar, afinal também é possível concluir que o tabuleiro rodoviário não é boa solução!
- O financiamento comunitário vai ser significativo....ora então está na hora de contactar a Comissão Europeia e tentar explicar-lhes que o tabuleiro rodoviário não é grande solução...talez eles ainda se lembrem da Ponte Vasco da Gama.
- Até ao final do ano o tempo é muito pouco...temos de nos despachar e aproveitar esta janela.
Alguém tem comentários? Ideias? Reclamações? Venham daí!
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
Uma petição em defesa do transporte colectivo
Enviaram-me uma petição que considero interessante e está em linha com o que defendo. Por isso, aqui a divulgo.
A petição defende a criação de mais corredores bus em Lisboa, como medida de dar prioridade ao transporte colectivo.
http://www.peticaopublica.com/?pi=BUS2010
A petição defende a criação de mais corredores bus em Lisboa, como medida de dar prioridade ao transporte colectivo.
http://www.peticaopublica.com/?pi=BUS2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Obras do TGV Caia-Poceirão só em 2011
A Lusa informa-nos:
"TGV: Obra física do Poceirão-Caia só começa em 2011 - Consórcio
01 de Setembro de 2010, 06:50
Lisboa, 01 set (Lusa) -- O consórcio Elos, responsável pela construção do troço de alta velocidade ferroviária Poceirão-Caia, já está a trabalhar no terreno, mas a obra física só começa no início de 2011, enquanto o contrato aguarda aprovação do Tribunal de Contas.
Em declarações à agência Lusa, o diretor-geral da concessionária Elos, Pinho Martins, disse que decorrem trabalhos de prospeção geotécnica e geológica desde a assinatura do contrato de concessão, em maio.
A concessionária está a fazer o anteprojeto, ao qual se seguirá o projeto de execução e fase de expropriações, explicou o responsável."
Ainda há tempo para se discutir a TTT, em especial a questão da rodovia!
"TGV: Obra física do Poceirão-Caia só começa em 2011 - Consórcio
01 de Setembro de 2010, 06:50
Lisboa, 01 set (Lusa) -- O consórcio Elos, responsável pela construção do troço de alta velocidade ferroviária Poceirão-Caia, já está a trabalhar no terreno, mas a obra física só começa no início de 2011, enquanto o contrato aguarda aprovação do Tribunal de Contas.
Em declarações à agência Lusa, o diretor-geral da concessionária Elos, Pinho Martins, disse que decorrem trabalhos de prospeção geotécnica e geológica desde a assinatura do contrato de concessão, em maio.
A concessionária está a fazer o anteprojeto, ao qual se seguirá o projeto de execução e fase de expropriações, explicou o responsável."
Ainda há tempo para se discutir a TTT, em especial a questão da rodovia!
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Viver na Margem Sul - a opinião de um leitor
Um leitor deixou-nos um comentário ao post "Quanto custa morar na margem sul, na região de Alcochete, e vir todos os dias para Lisboa?" que considero muito interessante. Obrigado pela participação.
Pareceu-me interesante trazer à primeira página o comentário, nomeadamente na esperança de que mais leitores participem.
"Anónimo disse...
Mudei-me para Alcochete. Tenho vindo de carro mas deixo-o perto da Gare do Oriente. As cidades estão cada vez mais incompurtáveis para nos deslocarmos de carro. O passe da TST custa 60€ só para atravessar a ponte Vasco da Gama. Baralhando e concluíndo, e como já foi dito aqui atras, nenhum dinheiro do mundo paga a alteração de hábitos e iniciativa própria de mudarmos de vida. Alcochete é considerada uma das zonas de melhor qualidade de vida em PORTUGAL. Agora verifiquem porquê, procurem por vcs próprios. Encontrem um local numa area de 70kms em redor de Lisboa com melhor qualidade de vida. Agora sei do que falo e mesmo que gastásse mais ou menos dinheiro e fizésse contas ao detalhe, nada iría mudar a minha opinião. Vale a pena mudarmos, gerir as nossas vidas da melhor maneira, criando prioridades onde elas antes não existiam. É a melhor Equação da Vida que se pode fazer.
Ex-Alfacinha
10 de Agosto de 2010 02:30 "
Resolvi pedir-lhe que nos explicasse melhor o que apreciava em Alcochete. E aqui está a resposta:
"Anónimo disse...
Olá Pedro
A questão tem a ver com hábitos e rotinas de vida a que estamos habituados e que de repente são alteradas. Essas alterações, no meu caso, são profundas. Morei muitos anos na zona da "famosa" Lapa junto a Santos. Uma zona considerada nobre da cidade. De nobreza está o povo cheio e esquecemo-nos de coisas tão essenciais e normais como viver numa zona quase plana, onde não temos problemas de estacionar um carro, onde podemos fazer tudo ou quase tudo a pé, onde nos podemos deslocar de bicicleta pela natureza ou molhar um pé na praia dos Moinhos num fim de tarde de trabalho, onde a simpatia e a hospitalidade das pessoas me são estranhas em comparação com a bestialidade humana que as próprias cidades constroem, onde quase me esqueço de usar o travão no regresso a casa ou a caminho do trabalho porque os somáforos e o constante para-arranca, a constante degradação dos pisos das estradas que me eram familiares.quase não existem, onde não fico horas numa fila na caixa de um supermercado porque ainda estão relativamente vazios, onde descubro aves e pássaros que os conhecia apenas da tv ou das idas ao zoo, onde os healths-clubs, piscinas, zonas verdes e a imensidão de uma vista deslumbrante dos por de sol tendo por base a Lisboa da qual não me separei mas que a vejo com alguma simpatia e esperança que um dia se renova e me dê provas que se pode ter uma vida agradável como em muitas cidades europeias têm o previlégio de ter. O preço que se paga por uma casa do outro lado da margem, independentemente da margem, é incomparávelmente comparável. Pagar um T2 por 200 mil € quando se pode ter um T3 por 140 mil € e apreciar um fantástico pôr do sol todos os dias, de um lugar onde ainda há lugar para todos, é irremediavelmente inigualável.
26 de Agosto de 2010 07:12 "
Compreendi perfeitamente a resposta e concordo com praticamente todos os argumentos. Mas lembrei-me imediatamente de uma outra pergunta:
Não seria melhor ususfruir de tudo isto e ter um bom transporte público colectivo para vir trabalhar a Lisboa?
É isto que defendo. Em vez de gastarmos o dinheiro num novo tabuleiro rodoviário, vamos antes gastá-lo a melhorar os transportes colectivos, permitindo que as pessoas de Alcochete, do Barreiro, etc...possam vir para Lisboa sem terem de perder tempo, dinheiro e qualidade de vida nos engarrafamentos. No post "Onde podia ser gasto o dinheiro do tabuleiro rodoviário?" estão alguns números.
Quanto aos defeitos que aponta a Lisboa...moro por cá, deste lado, e bem os conheço! Mais um melhor local para investir dinheiro público do que a construir tabuleiros rodoviários.
Mais alguém quer participar?
Pareceu-me interesante trazer à primeira página o comentário, nomeadamente na esperança de que mais leitores participem.
"Anónimo disse...
Mudei-me para Alcochete. Tenho vindo de carro mas deixo-o perto da Gare do Oriente. As cidades estão cada vez mais incompurtáveis para nos deslocarmos de carro. O passe da TST custa 60€ só para atravessar a ponte Vasco da Gama. Baralhando e concluíndo, e como já foi dito aqui atras, nenhum dinheiro do mundo paga a alteração de hábitos e iniciativa própria de mudarmos de vida. Alcochete é considerada uma das zonas de melhor qualidade de vida em PORTUGAL. Agora verifiquem porquê, procurem por vcs próprios. Encontrem um local numa area de 70kms em redor de Lisboa com melhor qualidade de vida. Agora sei do que falo e mesmo que gastásse mais ou menos dinheiro e fizésse contas ao detalhe, nada iría mudar a minha opinião. Vale a pena mudarmos, gerir as nossas vidas da melhor maneira, criando prioridades onde elas antes não existiam. É a melhor Equação da Vida que se pode fazer.
Ex-Alfacinha
10 de Agosto de 2010 02:30 "
Resolvi pedir-lhe que nos explicasse melhor o que apreciava em Alcochete. E aqui está a resposta:
"Anónimo disse...
Olá Pedro
A questão tem a ver com hábitos e rotinas de vida a que estamos habituados e que de repente são alteradas. Essas alterações, no meu caso, são profundas. Morei muitos anos na zona da "famosa" Lapa junto a Santos. Uma zona considerada nobre da cidade. De nobreza está o povo cheio e esquecemo-nos de coisas tão essenciais e normais como viver numa zona quase plana, onde não temos problemas de estacionar um carro, onde podemos fazer tudo ou quase tudo a pé, onde nos podemos deslocar de bicicleta pela natureza ou molhar um pé na praia dos Moinhos num fim de tarde de trabalho, onde a simpatia e a hospitalidade das pessoas me são estranhas em comparação com a bestialidade humana que as próprias cidades constroem, onde quase me esqueço de usar o travão no regresso a casa ou a caminho do trabalho porque os somáforos e o constante para-arranca, a constante degradação dos pisos das estradas que me eram familiares.quase não existem, onde não fico horas numa fila na caixa de um supermercado porque ainda estão relativamente vazios, onde descubro aves e pássaros que os conhecia apenas da tv ou das idas ao zoo, onde os healths-clubs, piscinas, zonas verdes e a imensidão de uma vista deslumbrante dos por de sol tendo por base a Lisboa da qual não me separei mas que a vejo com alguma simpatia e esperança que um dia se renova e me dê provas que se pode ter uma vida agradável como em muitas cidades europeias têm o previlégio de ter. O preço que se paga por uma casa do outro lado da margem, independentemente da margem, é incomparávelmente comparável. Pagar um T2 por 200 mil € quando se pode ter um T3 por 140 mil € e apreciar um fantástico pôr do sol todos os dias, de um lugar onde ainda há lugar para todos, é irremediavelmente inigualável.
26 de Agosto de 2010 07:12 "
Compreendi perfeitamente a resposta e concordo com praticamente todos os argumentos. Mas lembrei-me imediatamente de uma outra pergunta:
Não seria melhor ususfruir de tudo isto e ter um bom transporte público colectivo para vir trabalhar a Lisboa?
É isto que defendo. Em vez de gastarmos o dinheiro num novo tabuleiro rodoviário, vamos antes gastá-lo a melhorar os transportes colectivos, permitindo que as pessoas de Alcochete, do Barreiro, etc...possam vir para Lisboa sem terem de perder tempo, dinheiro e qualidade de vida nos engarrafamentos. No post "Onde podia ser gasto o dinheiro do tabuleiro rodoviário?" estão alguns números.
Quanto aos defeitos que aponta a Lisboa...moro por cá, deste lado, e bem os conheço! Mais um melhor local para investir dinheiro público do que a construir tabuleiros rodoviários.
Mais alguém quer participar?
domingo, 4 de julho de 2010
Eles falam, falam...
O Secretário de Estado dos Transportes efectuou uma intervenção sobre a terceira travessia do Tejo em Lisboa (TTT) nas Conferências do Beato.
Da intervenção, que é relativamente longa, destaco três parágrafos sobre a componente rodoviária (e pouco mais se diz sobre esta componente):
"Aparentemente contraditória com a preocupação em relação ao congestionamento foi a decisão de avançar na TTT com um tabuleiro rodoviário. Contudo, à semelhança da componente ferroviária convencional, também esta componente rodoviária constitui um missing link, uma ligação em falta, pois o corredor Lisboa-Barreiro-Moita-Seixal é o único que actualmente não está servido por uma acessibilidade rodoviária directa. Da mesma forma, destaco a relevância desta nova ligação rodoviária no contexto da localização do Novo Aeroporto de Lisboa na margem esquerda do Tejo, mais precisamente na zona do Campo de Tiro de Alcochete.
A este propósito, o Estudo de Impacte Ambiental da Terceira Travessia do Tejo, datado de Setembro de 2008, conclui que a implementação da componente rodoviária na TTT respeita as boas práticas de integração do alargamento de oferta rodoviária, com o reforço relevante do sistema de transportes públicos, conseguido com a criação de novos serviços ferroviários de excelência e com a melhoria e reforço da generalidade dos existentes, permitindo simultaneamente um forte estímulo ao desenvolvimento socioeconómico gerado por essa componente rodoviária.
(...)
A integração do modo rodoviário na TTT deverá ter igualmente efeitos positivos complementares na promoção do sistema urbano policêntrico do arco ribeirinho, isto é, dos seus centros urbanos como uma rede articulada e complementar, e na reconversão das áreas industriais, em conjunto com a ligação Seixal-Barreiro e outras ligações próximas da amarração Sul, como o IC32, que asseguram o acesso aos núcleos urbanos principais."
Aqui ficam os meus comentários sobre estes três parágrafos:
- Então a componente rodoviária é justificada por se tratar de um missing link? Mas então, porque não fazer uma ponte rodoviária entre o Montijo e o Beato, e entre o Barreiro-Seixal-Cacilhas-Santos e Algés-Trafaria e Porto Brandão-Junqueira...tudo isto não são missing links? Que boa justificação!
- Por acaso li atentamente a avaliação ambiental estratégica do novo aeroporto e não me lembro de ver associados ao aeroporto os impactes ambientais da componente rodoviária da TTT...se afinal a TTT é para servir o aeroporto, assim devia ser. E, já agora, quando se comparou a Ota com o Campo de Tiro em Alcochete, era melhor ter também sido considerado o custo de parte da componente rodovária da TTT. Será que a opção tinha sido a mesma?
- Quanto às conclusões do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da TTT referidas no segundo parágrafo...é que também li atentamente o EIA em causa e nunca lá encontrei isto justificado. Alguém me pode dizer a página? É que sobre isto não me esqueço do que disse a Comissão Independente para a Componente Rodoviária da Terceira Travessia do Tejo em Lisboa no Corredor Chelas/Barreiro - "A Comissão considera que (…) a introdução do modo rodoviário na Terceira Travessia do Tejo é justificável, tendo em atenção as seguintes restrições fundamentais: (...)(iv) imposições de restrições à mobilidade rodoviária na TTT.”.
- Quanto ao terceiro parágrafo...é tão geral e abstracto que poderia servir em muitos contextos. Que estudos provam isto? Enviem-me, por favor, esses estudos e a indicação das páginas.
Sabem o que vos digo...
Da intervenção, que é relativamente longa, destaco três parágrafos sobre a componente rodoviária (e pouco mais se diz sobre esta componente):
"Aparentemente contraditória com a preocupação em relação ao congestionamento foi a decisão de avançar na TTT com um tabuleiro rodoviário. Contudo, à semelhança da componente ferroviária convencional, também esta componente rodoviária constitui um missing link, uma ligação em falta, pois o corredor Lisboa-Barreiro-Moita-Seixal é o único que actualmente não está servido por uma acessibilidade rodoviária directa. Da mesma forma, destaco a relevância desta nova ligação rodoviária no contexto da localização do Novo Aeroporto de Lisboa na margem esquerda do Tejo, mais precisamente na zona do Campo de Tiro de Alcochete.
A este propósito, o Estudo de Impacte Ambiental da Terceira Travessia do Tejo, datado de Setembro de 2008, conclui que a implementação da componente rodoviária na TTT respeita as boas práticas de integração do alargamento de oferta rodoviária, com o reforço relevante do sistema de transportes públicos, conseguido com a criação de novos serviços ferroviários de excelência e com a melhoria e reforço da generalidade dos existentes, permitindo simultaneamente um forte estímulo ao desenvolvimento socioeconómico gerado por essa componente rodoviária.
(...)
A integração do modo rodoviário na TTT deverá ter igualmente efeitos positivos complementares na promoção do sistema urbano policêntrico do arco ribeirinho, isto é, dos seus centros urbanos como uma rede articulada e complementar, e na reconversão das áreas industriais, em conjunto com a ligação Seixal-Barreiro e outras ligações próximas da amarração Sul, como o IC32, que asseguram o acesso aos núcleos urbanos principais."
Aqui ficam os meus comentários sobre estes três parágrafos:
- Então a componente rodoviária é justificada por se tratar de um missing link? Mas então, porque não fazer uma ponte rodoviária entre o Montijo e o Beato, e entre o Barreiro-Seixal-Cacilhas-Santos e Algés-Trafaria e Porto Brandão-Junqueira...tudo isto não são missing links? Que boa justificação!
- Por acaso li atentamente a avaliação ambiental estratégica do novo aeroporto e não me lembro de ver associados ao aeroporto os impactes ambientais da componente rodoviária da TTT...se afinal a TTT é para servir o aeroporto, assim devia ser. E, já agora, quando se comparou a Ota com o Campo de Tiro em Alcochete, era melhor ter também sido considerado o custo de parte da componente rodovária da TTT. Será que a opção tinha sido a mesma?
- Quanto às conclusões do Estudo de Impacte Ambiental (EIA) da TTT referidas no segundo parágrafo...é que também li atentamente o EIA em causa e nunca lá encontrei isto justificado. Alguém me pode dizer a página? É que sobre isto não me esqueço do que disse a Comissão Independente para a Componente Rodoviária da Terceira Travessia do Tejo em Lisboa no Corredor Chelas/Barreiro - "A Comissão considera que (…) a introdução do modo rodoviário na Terceira Travessia do Tejo é justificável, tendo em atenção as seguintes restrições fundamentais: (...)(iv) imposições de restrições à mobilidade rodoviária na TTT.”.
- Quanto ao terceiro parágrafo...é tão geral e abstracto que poderia servir em muitos contextos. Que estudos provam isto? Enviem-me, por favor, esses estudos e a indicação das páginas.
Sabem o que vos digo...
Subscrever:
Mensagens (Atom)